Entrar em um restaurante no Japão pela primeira vez pode trazer algumas dúvidas. Onde colocar os hashis, como tomar a sopa, onde pagar a conta e até o que fazer com a pequena toalha entregue antes da refeição são detalhes que nem sempre fazem parte dos hábitos de quem vem de outros países.
Para quem viaja a dois durante a primavera, conhecer algumas dessas práticas antes de sentar à mesa ajuda a aproveitar restaurantes tradicionais, casas de ramen, izakayas e outros estabelecimentos com mais segurança. Não é necessário memorizar dezenas de regras. Alguns cuidados básicos já fazem diferença.
Como usar os hashis à mesa
Os hashis fazem parte de muitas refeições japonesas e existem alguns gestos que devem ser evitados.
Um dos mais conhecidos é deixar os pauzinhos espetados verticalmente em uma tigela de arroz. O gesto possui uma associação cultural específica no Japão e não faz parte da maneira habitual de apoiar os hashis durante uma refeição.
Quando não estiver usando os pauzinhos, procure colocá-los no suporte disponível na mesa, chamado hashioki. Caso não exista um suporte, observe como o próprio restaurante organiza os utensílios.
Outro cuidado importante é não passar um alimento diretamente do seu hashi para o hashi de outra pessoa. Esse movimento também possui uma associação cultural que não pertence ao contexto de uma refeição comum.
Para compartilhar algo, muitos restaurantes disponibilizam utensílios próprios nos pratos coletivos. Quando eles estiverem presentes, essa é a opção mais simples.
Também é melhor evitar apontar para alguém com os hashis, movimentá-los durante uma conversa ou utilizá-los para brincar com pratos e outros objetos.
Nem todo prato precisa ser comido da mesma maneira
Saber usar os hashis não significa que eles serão necessários para todos os alimentos.
O sushi, por exemplo, pode ser consumido com hashis ou com as mãos, dependendo do tipo e da situação. Portanto, não é necessário achar que comer uma peça com os dedos representa automaticamente um erro de etiqueta.
Na sopa de missô, é comum levar a tigela até próximo da boca para beber o caldo e utilizar os hashis para consumir os ingredientes sólidos.
Outros tipos de sopa podem ser servidos de maneiras diferentes. Em um ramen, por exemplo, normalmente há uma colher própria para o caldo, além dos hashis utilizados para o macarrão e os acompanhamentos.
Observar os utensílios colocados na mesa ajuda bastante a entender como cada prato deve ser consumido.
Itadakimasu e gochisousama fazem parte das refeições
Antes de começar a comer, é comum ouvir a expressão itadakimasu. Ela demonstra reconhecimento pela refeição e por tudo o que tornou aquele alimento possível.
Ao terminar, outra expressão bastante utilizada é gochisousama deshita, uma forma de agradecer pela refeição preparada.
Visitantes estrangeiros não precisam tratar essas expressões como uma obrigação. Ainda assim, conhecê-las ajuda a compreender um hábito presente no cotidiano japonês e pode ser uma maneira simples de demonstrar respeito.
Para que serve o oshibori
Ao chegar a determinados restaurantes, o cliente pode receber uma pequena toalha úmida chamada oshibori. Dependendo do estabelecimento e da época do ano, ela pode ser entregue quente ou fria.
Sua principal função é limpar as mãos antes da refeição. Depois de utilizá-la, basta deixá-la organizada no local indicado ou próxima ao lugar onde foi entregue.
Embora seja possível observar pessoas usando o oshibori de maneiras diferentes em ambientes informais, para o visitante a opção mais segura é utilizá-lo apenas nas mãos.
Nem todos os estabelecimentos oferecem esse serviço, portanto não é necessário esperar encontrar um oshibori em todas as refeições.
Como funciona o pedido em diferentes restaurantes
O processo para fazer o pedido muda bastante de acordo com o estabelecimento.
Algumas casas de ramen utilizam máquinas instaladas próximas à entrada. O cliente seleciona o prato e realiza o pagamento antes de se sentar ou recebe um comprovante para entregar à equipe.
Outros restaurantes utilizam tablets instalados na mesa, cardápios com códigos ou o atendimento tradicional feito por funcionários.
Em izakayas, é comum pedir diferentes pratos ao longo da refeição em vez de fazer todo o pedido de uma única vez. Como as preparações podem chegar à mesa em momentos diferentes, compartilhar vários pratos também faz parte da experiência em muitos estabelecimentos.
Observar como os outros clientes fazem o pedido ou seguir as orientações da equipe costuma ser suficiente quando o sistema não estiver claro.
Onde pagar a conta
O pagamento também não funciona exatamente da mesma maneira em todos os restaurantes.
Em muitos estabelecimentos, a conta é levada até a mesa, mas o pagamento é realizado posteriormente no caixa próximo à saída. Em outros, especialmente aqueles com máquinas de pedidos, a refeição pode ter sido paga antes mesmo de o cliente se sentar.
Pequenas bandejas podem ser utilizadas no caixa para colocar dinheiro, cartão e troco. Quando houver uma, basta colocar o meio de pagamento sobre ela em vez de entregá-lo diretamente ao atendente.
Como os sistemas variam, vale observar a sinalização e a maneira como o estabelecimento organiza o atendimento.
Gorjeta não faz parte do costume dos restaurantes japoneses
Dar uma quantia adicional ao atendente depois de uma refeição não faz parte do costume habitual no Japão.
Isso significa que o visitante não precisa calcular uma porcentagem adicional da conta como acontece em países onde a gorjeta faz parte do serviço de restaurantes.
Também é melhor não deixar dinheiro sobre a mesa ao sair, pois ele pode ser interpretado simplesmente como um valor esquecido.
Em situações específicas, especialmente serviços turísticos ou experiências particulares, podem existir práticas diferentes. Para restaurantes comuns, entretanto, a orientação é pagar apenas o valor apresentado pelo estabelecimento.
Pequenos cuidados deixam a refeição mais simples
Além das regras relacionadas aos hashis, alguns hábitos ajudam a tornar a experiência mais natural. Falar em volume moderado, não ocupar espaço além do necessário com bolsas e objetos e respeitar o ritmo do estabelecimento são cuidados simples.
Restaurantes pequenos podem ter poucos lugares e balcões estreitos. Nesses ambientes, organizar os pertences e evitar permanecer muito tempo depois de terminar a refeição pode facilitar a circulação de outros clientes.
Durante uma viagem na primavera, também é comum encontrar áreas turísticas mais movimentadas em determinados períodos. Restaurantes próximos a atrações conhecidas podem ter filas ou sistemas próprios para organizar a espera, por isso observar a sinalização antes de entrar evita confusão.
Conhecer essas práticas não significa tentar reproduzir cada comportamento local perfeitamente. Entender como usar os hashis, como funcionam os pedidos e pagamentos e quais pequenos gestos devem ser evitados já permite entrar em diferentes restaurantes japoneses sabendo melhor o que esperar.