Passar uma noite em um ryokan pode ser uma das experiências mais diferentes de uma viagem pelo Japão. Mais do que trocar um hotel convencional por uma hospedagem tradicional, o casal encontra costumes próprios, quartos com características japonesas e uma rotina que pode incluir refeições, yukata e banhos termais.
Para estrangeiros que nunca ficaram nesse tipo de acomodação, conhecer algumas diferenças antes do check-in ajuda a compreender melhor a experiência.
O ryokan faz parte da história das hospedagens japonesas
Embora o ryokan atual esteja associado às tradicionais pousadas japonesas, sua história não começou exatamente no período Edo.
Suas origens estão relacionadas a formas mais antigas de acomodação para viajantes. Séculos depois, durante o período Edo, o desenvolvimento das estradas e o aumento das viagens favoreceram estabelecimentos que ofereciam hospedagem e refeições ao longo das rotas.
Hoje existem ryokans bastante diferentes entre si. Alguns preservam arquitetura e costumes tradicionais, enquanto outros incorporam camas ocidentais, banheiros privativos e estruturas semelhantes às de hotéis modernos.
O check-in pode ser diferente de um hotel convencional
Uma das primeiras diferenças pode aparecer logo na entrada. Em propriedades tradicionais, os hóspedes retiram os sapatos em áreas determinadas e utilizam os chinelos disponibilizados pelo estabelecimento.
As regras mudam conforme o espaço. Em ambientes com tatame, por exemplo, normalmente não se utilizam chinelos.
Depois do check-in, um funcionário pode acompanhar os hóspedes até o quarto e explicar como funcionam as refeições, os banhos e outros serviços. Para quem não fala japonês, não é necessário conhecer antecipadamente todos os costumes. Ryokans que recebem visitantes internacionais costumam fornecer orientações, e perguntar quando houver dúvida ajuda a evitar erros.
Tatame e futon fazem parte do quarto tradicional
Nos quartos de estilo japonês, o tatame ocupa boa parte do piso. Também podem aparecer portas de correr e o tokonoma, um pequeno espaço decorativo presente em alguns ambientes tradicionais.
Em muitos ryokans, em vez de uma cama permanente, o hóspede dorme em um futon, um conjunto de cama tradicional japonês colocado diretamente sobre o tatame. Ele geralmente inclui um colchão acolchoado próprio para dormir no chão, além de travesseiro e coberta.
Dependendo do estabelecimento, a equipe prepara os futons enquanto os hóspedes estão jantando ou fora do quarto. Assim, durante o dia o ambiente pode funcionar como sala e, à noite, transformar-se no espaço para dormir.
Essa configuração não é obrigatória. Ryokans modernos também podem oferecer quartos com camas de estilo ocidental ou uma combinação dos dois formatos.
O yukata também faz parte da experiência
É comum encontrar um yukata disponibilizado no quarto. O yukata é uma vestimenta tradicional japonesa mais leve e informal que o quimono, geralmente confeccionada em algodão e presa ao corpo por uma faixa.
Dependendo das regras do estabelecimento, o hóspede pode utilizá-lo nas áreas comuns, durante as refeições ou no deslocamento até os banhos.
Para quem nunca ficou em um ryokan, ver outros hóspedes circulando de yukata pode parecer diferente no primeiro momento, mas faz parte da experiência em muitas propriedades.
Como as orientações variam, vale observar as regras do próprio ryokan para o uso do yukata, dos chinelos e de outros itens fornecidos pela hospedagem.
As refeições podem determinar o ritmo da estadia
Muitos ryokans oferecem planos que incluem jantar e café da manhã. O jantar pode ser composto por uma sequência de pequenos pratos preparados com ingredientes locais e sazonais, enquanto o café da manhã costuma seguir o estilo japonês.
Dependendo da propriedade, as refeições são servidas no próprio quarto ou em um salão específico.
Como a cozinha pode trabalhar com horários previamente definidos, é importante confirmar o período reservado para o jantar. Quem pretende passar o dia visitando atrações deve evitar programar o check-in muito próximo da refeição.
Também existem ryokans com planos sem refeições, portanto essa é uma informação que vale verificar no momento da reserva.
Onsen privativo pode ser interessante para casais
Muitos ryokans, especialmente em regiões termais, possuem onsen, mas essa não é uma característica obrigatória desse tipo de hospedagem.
Nos banhos coletivos tradicionais, homens e mulheres normalmente utilizam áreas separadas. Para um casal que deseja aproveitar essa experiência junto, vale pesquisar estabelecimentos que ofereçam banho privativo.
Uma das possibilidades é o kashikiri, um banho reservado para uso privado durante determinado período. Algumas propriedades também possuem quartos com banho próprio.
Por isso, antes da reserva, é importante verificar quais tipos de banho estão disponíveis e como funciona a utilização em cada estabelecimento.
Onde incluir uma noite em ryokan no roteiro
Ryokans podem ser encontrados em várias regiões do Japão. Kyoto possui opções que combinam esse tipo de hospedagem com o contexto histórico da cidade, enquanto Hakone é conhecida pela presença de pousadas associadas às áreas termais.
Takayama e outras cidades menores também oferecem alternativas para quem pretende experimentar uma hospedagem tradicional durante o roteiro.
Para o casal, não é necessário passar toda a viagem nesse tipo de acomodação. Uma noite pode ser suficiente para conhecer essa rotina antes de continuar o itinerário em hotéis convencionais.
O que verificar antes de fazer a reserva
Antes de escolher o ryokan, vale observar o tipo de quarto oferecido, se o banheiro é privativo ou compartilhado e quais refeições estão incluídas.
Também é importante conferir o horário permitido para check-in, principalmente quando houver jantar no plano escolhido. Para quem deseja utilizar um onsen, a reserva deve indicar se existem banhos coletivos, privativos ou disponíveis dentro do próprio quarto.
Um ryokan pode ser bastante tradicional ou oferecer várias comodidades modernas. Verificar esses detalhes antes da reserva ajuda o casal a escolher uma hospedagem compatível com a experiência que procura.