Existe uma característica da primavera japonesa que pode passar despercebida por quem está preocupado apenas em encontrar as cerejeiras. Quando a temporada se aproxima, as flores começam a aparecer não apenas nos parques e jardins, mas também nas vitrines, embalagens e cardápios de confeitarias, cafés e lojas de conveniência.
Os doces de sakura fazem parte dessa transformação. Alguns são tradicionais e seguem receitas transmitidas há gerações, enquanto outros são produtos criados especialmente para aquela época do ano. Em comum, muitos têm disponibilidade limitada, o que torna a procura por essas pequenas novidades uma parte interessante da viagem.
Entre os doces tradicionais estão os wagashi, nome usado para diferentes tipos de confeitos japoneses. Eles costumam utilizar ingredientes como arroz, feijão azuki, feijão branco e ágar, além de outros componentes de origem vegetal. A aparência também recebe bastante atenção, principalmente nos doces preparados para acompanhar o chá.
Durante a primavera, os wagashi podem ganhar formas que lembram flores, botões e pétalas. Algumas confeitarias mudam os desenhos conforme a estação avança, criando doces que parecem pequenas obras de arte. Em Kyoto, principalmente nas áreas próximas aos bairros históricos, é possível encontrar estabelecimentos especializados nesse tipo de confeitaria.
Um dos sabores associados à temporada é o sakura-an, uma pasta adocicada preparada tradicionalmente com feijão branco e elementos da própria flor de cerejeira. Dependendo da receita, folhas de sakura em conserva são utilizadas para acrescentar aroma e sabor. A combinação pode aparecer como recheio de diferentes doces.
Outro exemplo é o sakura yokan, uma preparação de textura firme feita com ágar e normalmente apresentada em tonalidades suaves. O resultado é bastante diferente de sobremesas ocidentais mais cremosas e pode ser uma boa escolha para quem quer experimentar algo tradicional sem recorrer aos doces mais conhecidos.
O sakura mochi provavelmente será mais fácil de reconhecer. Ele costuma ser preparado com arroz ou arroz glutinoso, recheado com pasta doce de feijão vermelho e envolvido por uma folha de cerejeira em conserva. A folha pode ser retirada antes de comer ou consumida junto, dependendo da preferência de cada pessoa.
Também é comum encontrar hanami dango, pequenos bolinhos de arroz servidos em um espeto. As três cores tradicionalmente associadas ao doce aparecem com frequência durante a primavera e estão ligadas à própria celebração das flores. Diferentemente de alguns wagashi mais elaborados, o dango pode ser encontrado em ambientes bastante informais.
A experiência não termina nas confeitarias tradicionais. Durante a primavera, supermercados e lojas de conveniência passam a receber uma quantidade enorme de produtos com embalagens relacionadas à sakura. Chocolates, biscoitos, balas, bolos, sorvetes e outros doces podem ganhar versões temporárias.
Um dos exemplos mais conhecidos entre os visitantes são os sabores sazonais de Kit Kat, mas não é necessário procurar uma edição específica. O mais interessante é observar as prateleiras. Durante a temporada, é comum encontrar produtos que não estavam disponíveis meses antes e que provavelmente desaparecerão novamente quando a primavera terminar.
Para quem gosta de levar lembranças gastronômicas da viagem, esses produtos podem ser uma alternativa prática. Como muitos possuem embalagens individuais e versões próprias para presente, acabam sendo fáceis de colocar na mala. É importante apenas conferir a composição e as restrições de transporte antes de levar alimentos para outro país.
As bebidas também entram na temporada. Cafeterias japonesas e algumas redes internacionais costumam criar opções especiais relacionadas às cerejeiras, combinando sabores florais com frutas, chocolate, chá ou outros ingredientes. A apresentação costuma acompanhar a proposta, com copos e embalagens desenvolvidos especificamente para a primavera.
Uma maneira simples de transformar essa procura em um pequeno passeio é começar pelas lojas de conveniência. Lawson, 7-Eleven e FamilyMart estão espalhadas por praticamente todas as áreas turísticas e costumam oferecer produtos acessíveis. Não é necessário comprar muito. Escolher dois ou três itens diferentes já permite experimentar sabores e texturas que talvez não apareçam novamente durante a viagem.
Depois, vale reservar outro momento para conhecer uma confeitaria tradicional. A experiência muda completamente quando você entra em uma casa especializada em wagashi, escolhe um doce cuidadosamente apresentado e o acompanha com uma xícara de chá.
Em Kyoto, esse tipo de parada no meio da tarde. Em Tóquio, também existem áreas tradicionais onde pequenas confeitarias dividem espaço com cafés, lojas e construções antigas.
A diferença entre comprar um doce de sakura em uma loja de conveniência e sentar em uma casa de chá para experimentar um wagashi artesanal é justamente o que torna essa experiência interessante. Um representa o lado cotidiano e moderno da temporada. O outro mostra uma tradição que valoriza apresentação, ingredientes e o momento em que o doce é servido.
E existe uma boa razão para não deixar essa experiência para o último dia. Os produtos sazonais podem mudar rapidamente e alguns são encontrados apenas durante determinadas semanas. Ao perceber uma embalagem diferente ou uma sobremesa que leva sakura no nome, pode valer a pena experimentar naquele momento em vez de esperar encontrar novamente.