Para quem nunca visitou o Japão, é natural pensar primeiro em sushi quando o assunto é gastronomia. O prato faz parte da identidade culinária do país, mas representa apenas uma pequena parte do que aparece nas mesas, restaurantes e mercados japoneses.
Durante uma viagem na primavera, essa descoberta ganha outro elemento. Alguns ingredientes acompanham o calendário e aparecem com maior frequência nos cardápios, enquanto pratos consumidos durante todo o ano ajudam a mostrar a variedade da cozinha japonesa.
Conhecer alguns nomes antes da viagem também facilita a escolha das refeições, principalmente quando o cardápio apresenta preparações pouco familiares.
Shun e os ingredientes de cada estação
Uma palavra interessante para entender a relação dos japoneses com os alimentos é shun. O termo está associado ao período em que determinado ingrediente está em sua melhor época.
A valorização da sazonalidade faz parte da cultura alimentar japonesa e ajuda a explicar por que alguns produtos ganham destaque durante determinadas semanas ou meses.
O takenoko, ou broto de bambu, é um exemplo. Sua presença aumenta durante a primavera e uma das preparações tradicionais é o takenoko gohan, arroz cozido com pedaços do broto e temperos.
A textura é firme e o sabor relativamente delicado. O ingrediente também pode aparecer cozido ou em outras preparações, dependendo do restaurante e da região.
Outro ingrediente encontrado nessa época é o sakura ebi. Apesar do nome, ele não é preparado com flores de cerejeira. Trata-se de um pequeno camarão de coloração rosada associado principalmente à Baía de Suruga, na província de Shizuoka.
Ele pode acompanhar arroz ou aparecer em preparações fritas. Para quem pretende passar pela região, procurar pratos preparados com esse ingrediente acrescenta uma especialidade local à experiência gastronômica.
Donburi para uma refeição prática
Não é necessário depender de ingredientes sazonais para descobrir o que os japoneses comem além do sushi.
O donburi é um bom ponto de partida. O nome se refere a uma tigela de arroz servida com diferentes ingredientes por cima. Existem muitas versões, fazendo com que esse tipo de refeição apareça em estabelecimentos bastante distintos.
O oyakodon, por exemplo, combina frango, ovo e cebola sobre o arroz. O gyudon utiliza carne bovina cortada em fatias finas, enquanto o katsudon normalmente leva uma costeleta de porco empanada com ovo e temperos.
Conhecer a palavra donburi facilita a leitura dos cardápios porque ela não identifica apenas uma receita, mas uma categoria de pratos.
Curry japonês, udon e soba
O curry japonês também costuma surpreender quem chega ao país esperando encontrar apenas os pratos mais conhecidos internacionalmente.
Chamado de kare raisu quando servido com arroz, normalmente possui um molho espesso e pode acompanhar carne e vegetais. Uma versão bastante conhecida é o katsu curry, servido com uma costeleta empanada.
O sabor e a consistência são diferentes dos curries encontrados em outras culinárias asiáticas. No Japão, tornou-se uma refeição cotidiana encontrada tanto em restaurantes especializados quanto em estabelecimentos mais simples.
Outra opção comum é o udon, macarrão feito com farinha de trigo e conhecido pelos fios grossos. Pode ser servido quente em caldo ou em preparações frias, com acompanhamentos que variam conforme o estabelecimento e a região.
O soba segue outra proposta. Seus fios são mais finos e tradicionalmente levam trigo-sarraceno na composição. Também pode chegar à mesa quente ou frio.
No zaru soba, por exemplo, o macarrão é servido frio sobre uma pequena esteira de bambu e acompanhado de um molho no qual os fios são mergulhados antes de comer.
Teishoku para experimentar diferentes preparações
Para quem prefere uma refeição com vários elementos, o teishoku é uma palavra útil para reconhecer nos cardápios.
Em vez de identificar uma receita específica, teishoku significa uma refeição servida como conjunto. Normalmente há um prato principal acompanhado por arroz, sopa de missô e pequenas porções adicionais, que podem incluir vegetais ou conservas.
O prato principal varia e pode ser peixe grelhado, carne, frango ou outra preparação. Para quem está conhecendo a alimentação japonesa pela primeira vez, esse formato permite experimentar diferentes sabores durante a mesma refeição.
Também vale conhecer o tonkatsu, costeleta de porco empanada e frita, geralmente servida fatiada. Costuma vir acompanhada de repolho cortado bem fino e molho próprio.
Já o yakitori é preparado com pequenos pedaços de frango colocados em espetos e grelhados. Diferentes partes da ave podem ser utilizadas, fazendo com que os espetos tenham sabores e texturas variados.
Depachika e a comida fora dos restaurantes
Uma parte interessante da descoberta gastronômica acontece também fora dos restaurantes.
Supermercados japoneses oferecem refeições prontas, acompanhamentos, produtos regionais e ingredientes que ajudam a observar o que faz parte do cotidiano local.
Nos grandes estabelecimentos comerciais existem ainda os depachika, áreas de alimentação normalmente localizadas nos pisos inferiores das lojas de departamento.
O nome combina palavras japonesas relacionadas a loja de departamento e subsolo. Esses espaços reúnem balcões de alimentos preparados, doces, produtos embalados para levar e especialidades de diferentes regiões.
Percorrer um depachika pode ser uma experiência gastronômica por si só. Além de observar a variedade disponível, o visitante encontra várias preparações no mesmo espaço, o que facilita comparar opções antes de escolher.
Como variar as refeições durante a viagem
Em vez de criar uma lista extensa de comidas obrigatórias, uma alternativa é variar o tipo de refeição ao longo dos dias.
Em uma ocasião, o casal pode experimentar um donburi. Em outra, escolher um teishoku. Também é possível conhecer a diferença entre udon e soba, provar o curry japonês ou observar quais ingredientes aparecem com maior frequência nos cardápios naquela época.
Supermercados e depachika podem entrar entre essas refeições, principalmente nos dias em que o roteiro não combina com uma parada mais longa em um restaurante.
O sushi pode continuar fazendo parte da viagem sem precisar definir toda a experiência gastronômica. Reconhecer termos como shun, donburi e teishoku já torna os cardápios mais fáceis de compreender e amplia bastante as possibilidades durante os dias no Japão.