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O Que Comer no Japão Durante a Primavera (Além do Sushi)

Para quem nunca visitou o Japão, é natural pensar primeiro em sushi quando o assunto é gastronomia. O prato faz parte da identidade culinária do país, mas a primavera mostra um lado muito mais amplo da comida japonesa. Conforme as temperaturas começam a subir, ingredientes sazonais aparecem nos mercados, restaurantes e vitrines, enquanto doces e bebidas ganham versões que ficam disponíveis por pouco tempo.

Um dos ingredientes que mais representa essa época é o takenoko, o broto de bambu. Ele costuma aparecer principalmente entre março e maio e pode ser preparado de diferentes maneiras. Uma das mais tradicionais é o takenoko gohan, arroz cozido com o broto, mas também é possível encontrá-lo em tempura e outras preparações. O sabor é delicado e a textura proporciona uma experiência diferente de muitos vegetais encontrados normalmente nos restaurantes.

Ao observar os cardápios durante uma viagem, vale prestar atenção à palavra shun. O termo está relacionado ao período em que determinado ingrediente está em sua melhor época. A valorização da sazonalidade é uma característica importante da culinária japonesa e ajuda a entender por que alguns alimentos aparecem durante poucas semanas e depois deixam de fazer parte dos cardápios.

Os morangos também ganham espaço nessa época. Embora estejam disponíveis em outros períodos do ano, a primavera é uma boa oportunidade para conhecer o ichigo-gari, experiência em que visitantes podem colher e comer morangos diretamente da plantação durante um período determinado. Algumas fazendas ficam nos arredores das grandes cidades e podem ser incluídas em um passeio de meio período.

Para um casal, esse tipo de programa pode ser uma maneira diferente de conhecer o cotidiano japonês, principalmente para quem deseja fazer uma pausa entre templos, estações movimentadas e áreas comerciais.

Outro ingrediente associado à estação é o sakura ebi, um pequeno camarão de coloração rosada encontrado principalmente na região da Baía de Suruga, em Shizuoka. Dependendo do restaurante e da disponibilidade, ele pode aparecer em preparações como tempura ou acompanhado de arroz.

A influência das cerejeiras também chega às confeitarias. Durante algumas semanas, vitrines de lojas e cafés recebem produtos inspirados na flor, desde sorvetes e bolos até chocolates e bebidas. O sakura mochi está entre os doces tradicionais mais conhecidos. Ele é feito com arroz e recheio de pasta de feijão vermelho e costuma ser envolvido por uma folha de cerejeira em conserva.

Nem todo produto de sakura encontrado nas lojas é uma receita tradicional. Muitos são criações sazonais que aproveitam a popularidade da flor durante a primavera. Para o visitante, isso acaba sendo parte da experiência, principalmente porque alguns desses produtos desaparecem das prateleiras quando a temporada termina.

Durante o período das cerejeiras, o hanami também influencia a maneira como algumas pessoas escolhem o que comer. Parques e áreas abertas podem receber barracas temporárias com pratos preparados na hora. Outra possibilidade é passar por uma loja de conveniência ou supermercado antes do passeio e comprar algo simples para levar, como onigiri, sanduíches, frutas e bebidas.

A gastronomia muda bastante quando o roteiro passa por Kyoto e Osaka. Em Kyoto, a cozinha tradicional costuma valorizar preparações delicadas e ingredientes sazonais. O obanzai, formado por diferentes pratos caseiros, é uma maneira interessante de conhecer esse estilo. Já o yudofu, preparado com tofu aquecido em um caldo simples, aparece em restaurantes tradicionais e combina especialmente com a atmosfera mais tranquila de algumas áreas da cidade.

Em Osaka, a relação com a comida costuma ser mais descontraída e muitos pratos são preparados para serem consumidos de maneira informal. O takoyaki é um dos exemplos mais conhecidos. São pequenas porções de massa preparadas em uma chapa especial e moldadas em formato arredondado, tradicionalmente com pedaços de polvo no interior. Depois de prontas, costumam receber molho, maionese e outros complementos, como flocos de bonito seco e alga.

O okonomiyaki segue outra proposta. É uma preparação feita com uma massa que normalmente leva bastante repolho e pode receber diferentes ingredientes, como carne de porco, frutos do mar, queijo ou outros complementos, dependendo do restaurante. Em alguns estabelecimentos, o prato é preparado na chapa diante do cliente ou na própria mesa.

Já o kushikatsu é formado por pedaços de alimentos colocados em espetos, empanados e fritos. Podem ser utilizados vegetais, carnes, frutos do mar e outros ingredientes. O prato ficou especialmente associado à região de Shinsekai, onde é possível encontrar restaurantes especializados nessa forma de preparo.

Experimentar essas três especialidades permite conhecer uma parte diferente da culinária japonesa. Elas não têm relação direta com a gastronomia delicada que muitas pessoas associam aos restaurantes tradicionais de Kyoto, e justamente por isso ajudam a perceber como os costumes alimentares podem mudar de uma cidade para outra.

Para uma noite especial, Kyoto também oferece a possibilidade de reservar uma refeição de kaiseki, composta por diferentes pratos apresentados em sequência. É uma experiência mais elaborada e normalmente exige planejamento, principalmente durante períodos de grande movimento turístico.

Durante a viagem, não é preciso tentar provar todas essas opções em um único dia. Uma tarde pode ser reservada para experimentar um doce sazonal, outro momento para conhecer um ingrediente que você nunca provou e uma noite para escolher um restaurante tradicional.

Também vale entrar em supermercados, lojas de departamento e pequenas confeitarias sem ter necessariamente um produto específico em mente. Durante a primavera, muitas prateleiras recebem alimentos e bebidas temporárias que acompanham a estação.

Essa variedade é justamente uma das partes mais interessantes da gastronomia japonesa. O sushi continua sendo uma ótima escolha, mas caminhar pelas cidades durante a primavera permite descobrir ingredientes, doces e pratos que mostram como a alimentação também acompanha as mudanças do calendário japonês.

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