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Mercados Gastronômicos Tradicionais Para Visitar na Viagem ao Japão

Diferente de um restaurante ou de uma barraca de festival, um mercado gastronômico oferece algo que nenhum dos dois entrega sozinho: a possibilidade de passear, provar um pouco de cada coisa, e observar de perto como os ingredientes chegam à mesa japonesa antes mesmo de virarem prato. Para um casal, é um programa de ritmo livre, sem compromisso de sentar em lugar nenhum, ideal para uma manhã sem pressa entre dois pontos turísticos.

Nishiki Market, Kyoto: o mercado que resume a cozinha da cidade

Conhecido como “a cozinha de Kyoto”, o Nishiki Market é uma rua coberta de aproximadamente 400 metros no centro da cidade, funcionando como mercado local há mais de 400 anos. Mais de cem lojas, muitas administradas pela mesma família há gerações, vendem desde peixe fresco e frutos do mar secos até doces tradicionais, chá, facas artesanais e uma variedade grande de tsukemono (picles japoneses), um dos produtos mais associados à cidade.

O mercado costuma abrir por volta das 9h, mas boa parte das lojas só abre efetivamente entre 10h e 11h, e recomenda-se visitar logo nesse horário inicial, antes que o fluxo de turistas aumente ao longo do dia. Diferente de um mercado de atacado, aqui não há entrada paga: é possível passear livremente, comprando o que interessar loja a loja.

Kuromon Ichiba, Osaka: o mercado da fartura à moda de Osaka

Combinando com a identidade gastronômica de “coma até falir” (kuidaore) que marca a cidade, o Kuromon Ichiba é um mercado coberto de quase 600 metros, tradicionalmente conhecido como “a cozinha de Osaka”. Diferente do tom mais contemplativo do Nishiki, o Kuromon tem uma atmosfera mais movimentada e voltada para porções generosas: espetos de frutos do mar grelhados na hora, fatias de peixe cru vendidas avulsas para comer ali mesmo, e fartura visual em cada barraca.

É um dos lugares mais indicados para quem quer experimentar frutos do mar frescos sem o compromisso (nem o preço) de um restaurante formal, com o mesmo espírito de fartura que rege a cidade.

Toyosu e Tsukiji, Tóquio: os dois lados do mesmo mercado

Em Tóquio, a história é um pouco mais complexa: o famoso Mercado de Tsukiji, por décadas o maior mercado de peixe do mundo, teve sua parte de leilão por atacado transferida em 2018 para um complexo novo e moderno, o Mercado de Toyosu, a poucos quilômetros de distância. Hoje, os dois funcionam de formas diferentes e complementares.

Toyosu é o mercado por atacado propriamente dito, com uma plataforma de observação de onde é possível assistir ao leilão de atum ao vivo (que costuma começar por volta das 5h da manhã, com vagas limitadas para observação mais próxima por sorteio). É uma experiência mais estruturada e “institucional”, pensada para quem realmente quer ver o funcionamento comercial por trás do peixe que chega às mesas de sushi mais renomadas do país.

Tsukiji, mesmo sem mais o leilão por atacado, continua funcionando como o “mercado externo”, cheio de pequenas lojas, bancas e restaurantes voltados ao público em geral, com um ambiente bem mais parecido ao que a maioria das pessoas imagina quando pensa em mercado tradicional japonês.

Para quem tem pouco tempo, vale escolher um dos dois: Toyosu para quem se interessa pelo aspecto comercial e pela experiência do leilão, Tsukiji para quem só quer passear e comer bem sem acordar de madrugada.

Etiqueta comum aos três mercados

Assim como nas barracas de festival, o costume nos mercados é comprar o item e consumir parado, próximo à banca, nunca caminhando pelos corredores enquanto come. Fotografar produtos e vendedores também pede um cuidado extra: vale pedir permissão antes de fotografar de perto uma banca ou um vendedor específico, especialmente em locais menores e menos acostumados ao fluxo turístico.

Outro ponto compartilhado pelos três: raramente há lixeiras disponíveis para o público, então vale levar uma sacola pequena para guardar o lixo até encontrar um ponto de descarte, geralmente de volta no hotel.

Como encaixar um mercado no roteiro do casal

Diferente de um restaurante, que costuma ser reservado para uma refeição específica, um mercado funciona melhor como programa de manhã, antes do almoço, com tempo livre para passear sem pressa e provar pequenas porções de várias bancas diferentes, quase como uma degustação repartida ao longo do passeio. É também uma boa forma de economizar em uma refeição do dia, substituindo um almoço formal por uma sequência de pequenos petiscos comprados ao longo do mercado.

Uma última dica

Cada cidade tem seu próprio mercado, e cada um reflete a identidade gastronômica local: Nishiki é sutileza e tradição, Kuromon é fartura, Toyosu e Tsukiji são a escala industrial e histórica do maior mercado de peixe do mundo. Reservar uma manhã para pelo menos um desses mercados é uma forma de sentir a cultura culinária da cidade antes mesmo de sentar para a primeira refeição do dia.

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