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Os Bairros Mais Românticos de Kyoto Para Caminhar Entre Cerejeiras (Roteiro a Pé, de Dia e à Noite)

A maioria dos guias sobre Kyoto na primavera costuma apresentar os mesmos templos, parques e pontos turísticos. O que nem sempre aparece é aquilo que realmente transforma uma caminhada a dois em algo especial. O horário escolhido, a sequência das ruas e a mudança da luz ao longo do dia podem fazer diferença enorme na maneira como você percebe a cidade.

Para um casal, isso importa mais do que visitar o maior número possível de atrações. Kyoto tem regiões onde ruas estreitas, caminhos de pedra e construções tradicionais ficam próximos, dá pra passar horas caminhando sem precisar de ônibus ou táxi a cada parada.

Uma das caminhadas que mais combina com a primavera começa no Yasaka-jinja. O santuário fica próximo ao movimentado cruzamento que conecta Gion a Higashiyama e seu grande portão vermelho é uma referência fácil para quem chega pela região central. O ônibus 100 ou 206, saindo do terminal da Estação de Kyoto, desce bem em frente ao portão em cerca de 20 minutos. A partir dali, o caminho segue em direção ao Parque Maruyama, que durante a temporada das cerejeiras ganha um movimento especial.

A grande cerejeira chorona do parque, um dos pontos mais conhecidos da região, costuma receber iluminação à noite na época da floração. Chegar no fim da tarde pode ser uma escolha melhor do que ir de manhã, já que dá pra ver a luz natural diminuindo e as lanternas ganhando destaque aos poucos.

Depois do parque, o passeio segue até Nene-no-Michi. O caminho de pedra atravessa uma das áreas mais tradicionais de Higashiyama, e vale caminhar sem pressa, observando as ruas pequenas que aparecem no meio do trajeto, em vez de só chegar, fotografar e seguir adiante.

Essa região exige atenção com os moradores. Gion e Higashiyama não são cenário montado pra turista, tem gente vivendo e trabalhando ali, então vale não bloquear passagens, entrar em propriedades privadas ou fotografar moradores sem autorização.

O mesmo cuidado vale para geiko e maiko. Encontrar uma delas pelas ruas pode ser interessante, mas não significa que esteja disponível para fotografias. Observar sem interromper o caminho faz parte de respeitar a cultura local.

Quando a noite chega, Pontocho é uma boa continuação. A região fica do outro lado do rio Kamo, entre as estações Gion-Shijo e Kawaramachi, com uma rua estreita cercada por restaurantes tradicionais. Depois de algumas horas caminhando por Higashiyama, atravessar até lá pra jantar deixa o roteiro mais natural, sem precisar voltar à estação só pra sair de novo.

Uma boa referência é chegar por volta das cinco da tarde, já pensando em seguir até o Parque Maruyama e Nene-no-Michi na sequência.

O Fushimi Inari é outro lugar que merece atenção, mas eu não tentaria colocá-lo no mesmo roteiro. O santuário fica em outra direção, a apenas duas paradas de trem da Estação de Kyoto pela linha JR Nara, uma viagem de cinco minutos até a Estação Inari, e possui uma experiência completamente diferente. A entrada é gratuita e o local nunca fecha. É conhecido pelos milhares de portões torii vermelhos que acompanham o caminho pela montanha.

Chegar cedo continua sendo a melhor forma de encontrar o local com menos gente, mas o final da tarde também funciona bem, já que a área nunca fecha e as lanternas criam uma atmosfera diferente conforme escurece. Eu evitaria, porém, uma subida noturna pela montanha inteira. Não é necessário chegar ao topo, o percurso é longo e algumas partes ficam bem escuras depois do anoitecer.

O Philosopher’s Path também merece um período separado. O caminho acompanha um canal entre Ginkaku-ji e Nanzen-ji e fica especialmente bonito durante a temporada das cerejeiras. Para chegar pela ponta de Ginkaku-ji, o ônibus 5 ou 100 sai da Estação de Kyoto e leva cerca de 35 a 40 minutos; quem preferir começar pelo lado de Nanzen-ji pode pegar o metrô até a Estação Keage, a cinco minutos a pé do templo. As árvores acompanham boa parte do percurso e podem formar uma espécie de corredor sobre a água.

Como essa região fica mais distante de Gion, Maruyama e Pontocho, tentar juntar tudo no mesmo dia pode transformar uma caminhada agradável em uma sequência de deslocamentos. Reservar algumas horas somente para o Philosopher’s Path permite aproveitar melhor o caminho e conhecer os arredores com mais calma.

Para quem viaja a dois, não existe necessidade de transformar cada dia em uma lista de atrações. Escolher uma região, caminhar por suas ruas e reservar espaço pra um café ou um doce no meio do caminho já rende uma experiência mais agradável.

Em Kyoto, a primavera aparece não apenas nas árvores que florescem ao redor dos templos. Ela também está nos pequenos caminhos, nos canais, nas ruas de pedra e na maneira como a cidade muda ao longo do dia. Por isso, escolher quando caminhar pode ser tão importante quanto decidir para onde ir.

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