Quando se pensa em festival de primavera no Japão, o hanami costuma vir à mente primeiro, e com razão, já que é a experiência mais emblemática da estação. Mas a primavera japonesa também é a estação de alguns dos matsuris (festivais tradicionais) mais antigos e visualmente impressionantes do país, muitos deles sem nenhuma relação direta com a floração das cerejeiras. Para um casal que já viu bastante flor durante a viagem, esses eventos oferecem uma camada cultural completamente diferente.
Takayama Matsuri: um dos três festivais mais importantes do Japão
Considerado um dos três festivais mais celebrados do país (ao lado do Gion Matsuri de Kyoto e do Chichibu Yomatsuri), o Festival de Primavera de Takayama acontece nos dias 14 e 15 de abril, na cidade histórica de Takayama, na província de Gifu. O ponto alto são doze yatai, carruagens de madeira elaboradamente esculpidas e decoradas, algumas equipadas com bonecos mecânicos (karakuri) que se apresentam durante o desfile, um tipo de artesanato mecânico que remonta a séculos de tradição.
Na noite anterior ao evento principal, o Yomatsuri (festival noturno) transforma a cidade velha de Takayama em um espetáculo à parte: cerca de cem lanternas iluminam cada carruagem enquanto elas desfilam lentamente pelas ruas, criando uma atmosfera bem diferente (e mais intimista) do que a versão diurna do mesmo desfile.
Aoi Matsuri: a procissão imperial de Kyoto
Um dos três festivais mais importantes da própria Kyoto, o Aoi Matsuri acontece todo dia 15 de maio, com uma grande procissão de mais de 500 pessoas vestidas com trajes aristocráticos do período Heian (794-1185), caminhando do Palácio Imperial até os santuários Kamo, no norte da cidade. É uma oportunidade rara de ver a estética da corte imperial japonesa recriada em pleno século 21, com um nível de detalhe histórico que remonta a mais de mil anos de tradição.
Omizutori: o ritual do fogo em Nara
Tecnicamente um serviço religioso budista, não um festival no sentido convencional, o Omizutori acontece anualmente no templo Todaiji, em Nara, há mais de 1.270 anos consecutivos. O momento mais impressionante é a queima noturna de tochas gigantes na varanda do salão de madeira do templo, com faíscas caindo sobre os visitantes reunidos abaixo, uma cena que remete diretamente à atmosfera de purificação ritual que dá nome ao evento (que significa, literalmente, “retirar água”).
Diferente dos desfiles festivos de Takayama e Kyoto, o Omizutori tem um tom mais solene e contemplativo, e vale a visita para casais que já conhecem o parque de veados de Nara e querem voltar à cidade sob uma luz completamente diferente.
Hinamatsuri: o festival das meninas
Celebrado todo dia 3 de março, um pouco antes do pico da floração de sakura na maior parte do país, o Hinamatsuri (também chamado de Festival das Bonecas ou Festival do Pêssego) é dedicado às meninas da família. Casas decoram uma plataforma escalonada com bonecas tradicionais vestidas em trajes da corte Heian, muitas vezes herdadas de mãe para filha ao longo de gerações. Embora seja mais uma celebração doméstica do que um evento público de rua, algumas cidades montam exposições públicas dessas plataformas de bonecas, o que permite a visitantes acompanhar de perto essa tradição sem precisar de convite para uma casa japonesa.
Como encaixar um desses festivais no roteiro
Diferente do hanami, que dura semanas e se adapta ao ritmo da viagem, esses festivais têm datas fixas e específicas no calendário, o que exige um pouco mais de planejamento: o Takayama Matsuri só acontece nos dias 14 e 15 de abril, e o Aoi Matsuri, em 15 de maio (data que pode ficar fora da janela de uma viagem focada só em sakura). Vale checar o calendário desses eventos antes de fechar as datas da viagem, caso o casal queira encaixar um deles no roteiro, já que são celebrações que só acontecem uma vez por ano, sem segunda chance dentro da mesma temporada.
Vale a pena incluir no roteiro?
A primavera japonesa é muito mais do que a temporada de cerejeiras. Festivais como o Takayama Matsuri, o Aoi Matsuri e o Omizutori carregam séculos de tradição e uma estética completamente diferente da experiência de contemplar flores, e vale reservar ao menos um deles no roteiro para um casal que quer ver o Japão além da sakura.