Não falar japonês costuma ser uma das maiores preocupações de quem está planejando a primeira viagem ao Japão. A preocupação aumenta quando o roteiro inclui parques, estações movimentadas, restaurantes pequenos e experiências que parecem depender de uma comunicação mais específica. Na prática, porém, o idioma costuma ser um obstáculo menor do que muitos imaginam, principalmente quando o viajante se prepara antes de sair do hotel.
Uma das ferramentas mais úteis é o Google Tradutor. A função de câmera permite apontar o celular para um cardápio, placa, embalagem ou aviso e visualizar uma tradução sem precisar digitar todo o texto. Isso pode ser especialmente útil em restaurantes que não possuem cardápio em inglês ou ao comprar alimentos em lojas e barracas durante a primavera.
Antes de viajar, também vale baixar o idioma japonês para utilização offline. Assim, algumas funções do aplicativo continuam disponíveis mesmo quando a conexão de internet estiver fraca. Essa preparação é simples e pode evitar uma situação desconfortável justamente quando você mais precisa entender uma informação.
A tradução por voz também pode ajudar em conversas curtas. Não é necessário esperar uma conversa longa e perfeita. Perguntar o preço de um produto, confirmar se determinado lugar está aberto ou explicar uma necessidade simples são situações em que o recurso pode facilitar bastante a comunicação.
Mesmo usando tecnologia, algumas palavras japonesas merecem um espaço na memória. Sumimasen pode ser usada para chamar a atenção de alguém, pedir licença ou iniciar um pedido de ajuda. Arigatou significa obrigado e é uma das expressões mais fáceis de incorporar à rotina.
Durante uma viagem, também pode ser útil conhecer kore wa nan desu ka, que significa “o que é isto?”, especialmente diante de um alimento que você nunca viu, e ikura desu ka, usada para perguntar quanto custa. Não é necessário ter uma pronúncia perfeita. O simples esforço de usar algumas palavras no idioma local costuma tornar a interação mais natural.
Em muitos estabelecimentos, a comunicação também acontece sem praticamente nenhuma conversa. Uma calculadora pode mostrar o valor da compra, o funcionário pode apontar para uma opção no cardápio e o visitante pode simplesmente indicar o produto que deseja. Em lojas e restaurantes, observar o que as pessoas fazem ao redor também ajuda a entender rapidamente como determinado serviço funciona.
Nas estações de trem, mapas e painéis eletrônicos costumam apresentar informações em mais de um idioma, principalmente nas áreas frequentadas por turistas. Mesmo assim, é importante prestar atenção ao nome da estação e à direção do trem, pois algumas estações japonesas são enormes e possuem várias plataformas e saídas.
Durante a primavera, os parques mais conhecidos podem receber um número elevado de visitantes. Funcionários posicionados nas entradas ou em áreas de maior movimento costumam orientar o público e podem indicar banheiros, saídas, áreas permitidas para piquenique e outros pontos importantes. Se explicar a dúvida for difícil, mostrar um mapa ou simplesmente apontar para o local desejado costuma ser suficiente.
Uma pequena preparação antes de sair do hotel faz bastante diferença. Salvar no celular o nome da estação de destino, o endereço do hotel e os nomes dos lugares que pretende visitar permite mostrar a informação diretamente quando necessário. Ter esses dados também ajuda caso a bateria do telefone esteja acabando ou a conexão fique instável.
E por falar em conexão, não é uma boa ideia depender exclusivamente do Wi-Fi gratuito. Algumas estações, cafés e estabelecimentos oferecem acesso à internet, mas a disponibilidade varia. Para quem pretende passar muitas horas fora do hotel, um eSIM, chip de viagem ou pocket Wi-Fi pode facilitar bastante o uso de mapas e aplicativos de tradução.
O mais importante é sair preparado, mas sem criar a expectativa de que tudo precisa funcionar perfeitamente. Algumas interações serão rápidas, outras poderão exigir o celular e, em determinados momentos, será necessário repetir uma pergunta ou procurar outra maneira de explicar o que você precisa.
Depois de alguns dias, muitos desses pequenos desafios deixam de parecer um problema. O casal aprende a reconhecer estações, identificar sinais, usar algumas palavras e compreender melhor como as coisas funcionam. E talvez essa seja uma das partes mais interessantes da primeira viagem ao Japão, perceber que você não precisa dominar o idioma para conseguir explorar o país com tranquilidade